Eu ouço falar de esgotamento de endereço desde a quebra da bolha da Internet em meados de 2000, mas pouco ou quase nada eu vi se fazendo para mudar o cenário. Resultado, hoje estamos realmente com falta de endereços IPv4 e infelizmente ainda tem muita instituição na contra-mão e deixando o problema para o sucessor resolver. No que tange os grande provedores de acesso este já não é mais um grande problema graças a comitês que vêm estudando a escassez e otimização do uso do IP desde a década de 80.

Para que todos entendam vou dar apenas uma breve descrição do porquê os IPs da Internet já estão praticamente esgotados e daí a necessidade do estudo de um novo sistema de endereçamento se fez necessário (O famoso IPv6). Hoje é praticamente mandatório o uso deste novo protocolo em qualquer novo nó dentro da Internet.

Se os kambas que estão a estudar sobre o protocolo IP não entenderam nada, eu vou deixar aqui alguns bons links, mas prometo colocar outros posts mais técnicos e dedicado ao protocolo IP.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Internet
http://pt.kioskea.net/contents/269-endereco-ip

Bem, vamos a breve descrição. A questão é puramente matemática. O endereçamento IP atual (IPv4) utiliza-se de 32 bits que são divididos em grupos (ou octetos) de 8 bits. Como o sistema de numérico dos equipamentos informáticos é binário, temos as seguinte e finita possibilidade de endereços IPv4 dentro da Internet: 4 294 967 296 de endereços.

A principal motivo para a implantação do IPv6 na Internet é a necessidade de mais endereços, porque a disponibilidade de endereços livres IPv4 terminou. (*Fonte Wikipedia)

Razões para o esgotamento

Para entender as razões desse esgotamento, é importante considerar que a Internet não foi projetada para uso comercial. No início da década de 1980, ela poderia ser considerada uma rede predominantemente acadêmica, com poucas centenas de computadores interligados. Apesar disso, pode-se dizer que o espaço de endereçamento do IP versão 4, de 32 bits, não é pequeno: 4 294 967 296 de endereços.

 

Ainda assim, já no início de sua utilização comercial, em 1993, acreditava-se que o espaço de endereçamento da Internet poderia se esgotar num prazo de 2 ou 3 anos. Isso não ocorreu por conta da quantidade de endereços, mas sim por conta da política de alocação inicial, que não foi favorável a uma utilização racional desses recursos. Dividiu-se esse espaço em três classes principais (embora existam a rigor atualmente cinco classes), a saber:

  • Classe A: com 128 segmentos, que poderiam ser atribuídos individualmente às entidades que deles necessitassem, com aproximadamente 16 milhões de endereços cada. Essa classe era classificada como /8, pois os primeiros 8 bits representavam a rede, ou segmento, enquanto os demais poderiam ser usados livremente. Ela utilizava o espaço compreendido entre os endereços 00000000.*.*.* (0.*.*.*) e 01111111.*.*.* (127.*.*.*).
  • Classe B: com aproximadamente 16 mil segmentos de 64 mil endereços cada. Essa classe era classificada como /16. Ela utilizava o espaço compreendido entre os endereços 10000000.0000000.*.* (128.0.*.*) e 10111111.11111111.*.* (191.255.*.*).
  • Classe C: com aproximadamente 2 milhões de segmentos de 256 endereços cada. Essa classe era classificada como /24. Ela utilizava o espaço compreendido entre os endereços 11000000.0000000.00000000.* (192.0.0.*) e 11011111.11111111.11111111.* (213.255.255.*).

Os 32 blocos /8 restantes foram reservados para Multicast e para a IANA (Internet Assigned Numbers Authority).

O espaço reservado para a classe A atenderia a apenas 128 entidades, no entanto, ocupava metade dos endereços disponíveis. Não obstante, empresas e entidades como HP, GE, DEC, MIT, DISA, Apple, AT&T, IBM, USPS, dentre outras, receberam alocações desse tipo.

As previsões iniciais, no entanto, de esgotamento quase imediato dos recursos, não se concretizaram devido ao desenvolvimento de uma série de tecnologias, que funcionaram como uma solução paliativa para o problema trazido com o crescimento acelerado:

  • O CIDR (Classless Inter Domain Routing), ou roteamento sem uso de classes, que é descrito pela RFC 1519. Com o CIDR foi abolido o esquema de classes, permitindo atribuir blocos de endereços com tamanho arbitrário, conforme a necessidade, trazendo um uso mais racional para o espaço.
  • O uso do NAT (Network address translation) e da RFC 1918, que especifica os endereços privados, não válidos na Internet, nas redes corporativas. O NAT permite que com um endereço válido apenas, toda uma rede baseada em endereços privados, tenha conexão, embora limitada, com a Internet.
  • O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol), descrito pela RFC 2131. Esse protocolo trouxe a possibilidade aos provedores de reutilizarem endereços Internet fornecidos a seus clientes para conexões não permanentes.

Conclusão

Com o esgotamento de endereços IPs as entidades estão a ser pressionadas a migrar e qualquer novo serviço só é permitido com um bloco de endereços IPv6. Outra política que orgãos que controlam a distribuição de IPs (IANA, APNIC, AFRINIC) fazia, é que mesmo que órgãos públicos, por exemplo, ainda tenham direito a adquirir endereços IPv4 este era obrigado ter parte já em IPV6. Hoje somente IPv6 é fornecido. Mas ainda assim infelizmente poucos pensam em migração e até o comitê que do Brasil que cuida da implantação e controle do IPv6 ainda tem problemas com servidores de nomes por exemplo, para cadastrar novos domínios, pois os NS (Name Server) precisam estar áptos a resolver endereços do tipo IPv6 e esta é outra tarefa que está a passos lentos em países emergentes.

Cenário em Africa

No continente africano quem cuida da distribuição dos IPs (v4 ou v6) é o AFRINIC (http://www.afrinic.net/) e infelizmente a adesão ainda é muito baixa, porém o lado bom é que o IPv4 ainda não está esgotado para o continente.

 

No site da AFRINIC há uma ferramenta muito interessante que pode-se ver o atual cenário IPv6 da ÁFRICA.

http://www.afrinic.net/en/services/statistics/ipv6-resources

Sem Título

 

Ferramenta Google que calcula o número de adesões ao endereçamento IPv6

http://www.google.com/intl/en/ipv6/statistics.html

Ferramenta para testar a vossa conectividade IP e se seu Provedor já utiliza IPv6

http://www.test-ipv6.com/

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Escrito por diegooliveirabressan

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